(Texto escrito propositadamente sem acentuacao, por ser redigido em um iPad)

13/12/2012

Queridos amigos e leitores,

Voltei! As ultimas semanas foram atipicas em termos de acesso aa web por um motivo nobre: estavamos visitando a Africa. Por isso, nao foi possivel manter o post semanal. Agora, Rafa e eu estamos instalados na Australia e retomarei o fluxo dos textos. Mas peco que segurem as expectativas: antes de contar das aventuras na terra da origem da humanidade e agora na terra do sol, quero compartilhar com voces algumas experiencias vividas antes, la para setembro e outubro.

20121213-123901.jpg So para voces terem um gostinho da Africa

Aproveitando o momento flashback, aqui vai uma breve recapitulacao do que vivemos ate agora na volta ao mundo:
– a viagem comecou em julho/2012. Ou seja, ja completamos cinco meses.
– cruzamos toda a Europa, de Portugal aa Russia. Incluindo outra terras visitadas que contarei mais pra frente, ja foram 18 paises. Uma imensidao de culturas, linguas, cheiros, cores e povos. Realmente uma linda aventura.

20121213-123547.jpg O comecinho, la nas entranhas de Portugal, reencontrando as raizes do nosso povo

20121213-123720.jpg Celebrando o encontro da beleza da natureza com as criacoes do homens

Entao vamos la: hoje quero contar o que vivemos no leste europeu. Comecarei pelo fim, afinal isso eh o blog de uma inovadora!

Nos despedimos da Russia em 02/10/12, e com ela deixamos para tras, nao sem saudade, o muito falado Leste Europeu. Eh uma regiao tao sui generis que merece essa designacao propria, que a distingue do restante do velho continente. Por isso, merece tambem um post especial, para compartilhar com voces as experiencias que vivemos.

Ficamos exatamente um mes nessa parte do mundo, comecando por 1o/setembro. Aprendemos que, para alguns cidadaos desses paises, esse dia marca, em conjunto com a volta aas aulas pos-ferias de verao, o inicio do outono. Ainda que a estacao comece oficialmente cerca de 20 dias depois, seus efeitos ja podem ser sentidos na pele e nas vitrines. O ar refrescou e nos obrigou a incrementar a sucintissima backpack com casacos levinhos. Ainda bem que as liquidacoes de verao ja haviam acabado e encontramos moda outono/inverno fresquinha nos cabides. Eh, as vezes o viajante do mundo precisa de um mimo para sentir-se so um pouquinho fashion!

Iniciamos a viagem ao Leste saindo de Berlin com destino a Praga.

20121213-125029.jpg Belezas do caminho percorrido em trem

Eram altas as expectativas com a cidade, tida por muitos como das mais bonitas do planeta. A primeira impressao, na estacao de trem, nao foi das melhores. Como estacoes de trem em geral, essa tambem era suja, povoada por bebados e desocupados.

Demoramos a encontrar nosso caminho para sair dali e tivemos o primeiro contato com uma figura carimbada do leste: o fumante! Uma senhora que tentava, em “um quarto ingles/tres quartos tcheco”, nos orientar, nao se obsteve, a despeito de sua gentileza, de apontar o mapa com os dedos que seguravam o cigarro, voltando-o diretetamente para nosso rosto. Isso eh o que chamo de ser um fumante passivo! Dos bons!

Nos dias que se seguiram, convivemos com muito mais fumantes, e em maior proximidade, do que estamos acostumados. Nos sentimos bastante incomodados, especialmente porque nosso contato com o cigarro diminuiu muito devido aas leis antifumo que vigoram nas grandes cidades brasileiras. Ainda mais quando sao reservados a eles os melhores lugares em bares, cafes e restaurantes. No nosso caso, nao havia muito o que fazer, a nao ser escolher bem o local, e ser bem tolerantes. Mas está aí um aspecto cuja evolucao tecnologica do mundo pouco modificou: o cigarro. Eh direito do fumante fumar, e do nao-fumante nao fumar. Alguem aí tem boas ideias para equacionar essa zona de intersecao dos dois direitos? Quem sabe uma batalha de conceitos para capta-las, hein Jose Claudio Terra e pessoal da Globant TerraForum?

Bem, passado o susto inicial da ferroviaria e do fumo, conseguimos, com a ajuda de uma daquelas maravilhosas pessoas que tem cruzado nosso caminho, pegar um tram (bonde) e chegar em nosso hotel. Susto 2! O local reservado estava MUITO aquem de nossas expectativas. Deixemos claro que estamos viajando em low budget, ficamos em couch surfings, na casa de amigos…. ate em uma fazenda. Mas quando reservamos um hostel, esperamos um hostel. E esse nem isso poderia denominar-se. Estava mais para um antigo dormitorio estudantil, com instalacoes precarias, velhas. Olha, a gente em geral acerta, mas quando erra, erra pra valer! E eu, fortemente gripada, sem mais forcas para ir alem, fechei os olhos e topamos ficar la por aquela noite. E entendemos que ali era um outro mundo, em que nao se aplicavam as mesmas regras do restante da Europa.

Pelo menos estavamos bem localizados. E em duas paradas de metro, chegamos ao centro.
Ja conto como foi. Antes quero chamar a atencao de voces para a foto abaixo:

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Nos nunca haviamos visto uma escada rolante tao extensa e tao rapida. Nos pareceu curioso e inexplicavel. Ate que alguem nos explicou: grande parte dos metros dos paises do leste europeu cumpre tambem a funcao de abrigo antibombas. Alguns foram, inclusive, contruidos para essa tarefa, e transformados em redes de transporte posteriormente.

Sem mais digressoes…chegamos, entao, depois de sobes-e-desces interminaveis, ao centro de Praga. E nao tivemos mais sustos! A cidade eh realmente muito linda. Uma lindeza grande, poderosa, nao chega a oprimir, mas nos tira sem duvida o folego. Ah, malditos dias em que resolvo deixar a camera boa em “casa” e perco de registrar o nascer de uma incrivel lua cheia bem ao centro da ponte Carlos. Perdi essa, mas Praga nao se magoou, e mostrou sua beleza nos dias que se seguiram. Vejam so:

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Nos demais dias que passamos la, ja muito mais bem instalados num delicoso apart-hotel, nos encantamos cada vez mais com os detalhes de vistas ja vistas e com as novas que se desdobravam frente aos nossos olhos nas esquinas mais improvaveis.

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Nos arredores da capital tcheca, descobrimos mais belezas, daquelas feitas pela natureza, nao pelo homem.

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De alma enlevada, depois de curtir Praga por uma semana, rumamos a Budapeste, na Hungria. E qual nao foi nossa surpresa ao encontrar ali tambem uma quantidade enorme de belezas, das naturais e daquelas fruto do talento humano.

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Alem disso, a capital hungara nos enriqueceu de conhecimentos:
– Descobrimos que eles nao gostam de serem chamados de Hungaros. Historicamente, esse nome foi dado pelos europeus para designar o pais dos hunos, conhecidos barbaros. Assim, o povo considera “Magyarország” o nome oficial do pais.
– Ainda que descendam dos barbaros de origem asiatica, nao se veem, na populacao, tracos que denotem essa raiz. Isso ocorre porque o pais foi repovoado varias vezes apos guerras, dando aos hungaros rostos mais nordicos. Um dos principais invasores da Hungria foram os Otamanos. Falaremos mais deles quando eu contar sobre a Turquia.
– Aprendemos que eles usam colocar o ano antes do dia e do mes ao escreverem uma data.
– O Imperio Austro-Hungaro ocupou tres vezes o tamanho atual do pais e deixou de existir apos a primeira guerra mundial.
– A Hungria foi aliada da Alemanha nazista, mas mesmo assim foi invadida e perdeu centenas de milhares de judeus de sua populacao. Foi o segundo pais mais atingido pelo Holocausto, atras da Polonia.
– Por fim, conhecemos em Budapeste mais sobre o comunismo, regime que foi aplicado no pais apos a segunda guerra, sob controle Russo. E aprendemos isso pela voz dos proprios cidadaos que viveram essa realidade.

20121213-143304.jpg Uma palestra ao ar livre sobre comunismo

Uma curiosidade: voce se lembra de ter assistido algum filme recente locado em Budapeste? Aposto que nao. Pois eh, mas a cidade aparece em varios, no entanto sempre fazendo as vezes de outras! Por exemplo: naquele Missao Impossivel que se passa na Russia, esta la, uma praca da linda Budapeste representando o Kremlin.

Outra curiosidade: Budapeste nao eh so beleza e cultura. Eh tambem relaxamento e lazer. Conhecida como a cidade dos spas, faz uso de suas aguas termais em enormes clubes/banhos. Nos fomos conferir e adoramos!

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Encerro essa primeira parte dos Retratos do Leste com imagens desse novo mundo que descobimos em nossa Making it Happen Expedition.

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Como eh raro ver um carrinho desses, da epoca comunista, os donos pedem doacoes para manutencao. Nesse, ha uma caixinha para donativos, na janela do passageiro.

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Retratos do Leste – parte 1
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6 thoughts on “Retratos do Leste – parte 1

  • December 13, 2012 at 10:20 pm
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    Dear, tive a mesma palestra sobre o Comunismo em Budapeste e foi um dos tours que mais amei na viagem!! Reconheci a guia! 🙂 All the best!!

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    • December 16, 2012 at 9:27 am
      Permalink

      Carol, fizemos esse tour por sua indicacao! 🙂 obrigada pelo comentario e por ter participado de nossa grande aventura. Bjs, MP

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  • December 16, 2012 at 11:13 am
    Permalink

    Adorei seu texto MP!! Me fez viajar junto com vocês imaginando tudo que você descreveu… que vontade de passar por essas experiências também!!!! Mas confesso que dispenso o hostel ruim!! rssss…

    Queria dizer que ontem mesmo também estava lendo seu texto sobre a Serasa Experian no livro das 10 Dimensões da Inovação, você é uma contadora de histórias nata, suas histórias fuem e nos empolgam!

    Tks for writtig!!!!
    Muitas outras exeperiências que tragam felicidade a vocês!!!!! 🙂

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    • December 16, 2012 at 11:16 pm
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      Isa querida, obrigada pelo comentario e pelo elogio. Fico feliz em poder compartilhar nossas aventuras, pois eh minha forma de trazer os amigos para pertinho de mim! Abrs, MP

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