(Texto de 2012/2013, escrito propositadamente sem acentuação gráfica)

21/07/2012
E entao Gerard foi limpar a piscina.

Em Tours, no vale do Loire, interior da França, ficamos hospedados num studio anexo aa casa de um casal frances ja nos seus 70 anos. Por uma semana, foi a nossa casinha no pais do meu coracao.

Certo dia, enquanto eu escrevia, no jardim, Gerard chegou e disse : vou limpar a piscina para vcs poderem usar. Imaginei aquele senhor alto e magro gastando alguns bons minutos sob o sol aspirando o fundo da piscina, como muitas vezes presenciei o “seu” Luiz fazer na casa de meus pais.

Qual nao foi minha surpresa quando ele ligou uma maquininha, atirou-a aa agua e despediu-se. Em segundos, o robozinho comecou a escanear e limpar o fundo da piscina, sem nenhuma intervencao do “seu” Gerard.

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Isso me lembrou a conversa que tive, dias antes, na casa de minha querida amiga Ivo Razafimihary, em Paris, acerca dos trabalhos domesticos. Ivo eh de Madagascar, e encontramos paralelos entre a cultura de seu pais e a do Brasil. La, assim como nas terras tupiniquins, ainda eh comum contarmos com servicos domesticos prestados por terceiros, como empregadas, limpadores de piscina, jardineiros, cozinheiras etc.

Refletimos, entao, sobre o quando a evolucao da sociedade leva aa diminuicao da necessidade desse tipo de profissional. Encontramos duas causas que se combinam para gerar novos cenarios: de um lado, o avanco tecnologico e o acesso generalizado a essas novas tecnologias, torna a vida domestica mais facil. Pensemos aqui nos microondas, lavadoras em geral, robozinhos aspiradores de po (como tem meu outro amigo, Jarbas Pinheiro), secadoras e, por que nao, limpadores de piscina. Todos esses produtos substituem alguns dos prestadores de servicos mencionados acima.

No outro lado, temos o avanco social e educacional dos proprios profissionais. Ja virou capa de revista o fato de que encontrar uma empregada domestica ou uma baba em cidades como Sao Paulo eh uma tarefa cada vez mais trabalhosa. As boas e velhas profissionais estao especializando-se e tornando-se disputadas. As mais jovens encontram outras alternativas de trabalho e nao mais mostram interesse pela “carreira”.

Aqui pela Europa, ja presenciei essa nova sociedade. Acredito que em cerca de 10 anos tenhamos um cenario bastante diferente do atual no Brasil.

Vale refletir, entao, que tipo de produtos e servicos podemos oferecer para uma sociedade brasileira muito menos dependente dos servicos domesticos.

Volta ao mundo – Reflexões sobre tecnologia e estilo de vida
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